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segunda-feira, 22 de abril de 2013

ENTRE A CIÊNCIA E A RELIIÃO


Não apenas na matemática revelou-se o gênio precoce de Pascal. Nas demais ciências ele realizou surpreendentes progressos e aos dezenove anos inventou a máquina aritmética, que permitia que se fizesse nenhuma operação sem lápis nem papel, sem que se soubesse qualquer regra de aritmética, mas com segurança infalível. O invento de Pascal foi considerado uma verdadeira revolução, pois transformava uma máquina em ciência, ciência que reside inteiramente no espírito. A construção da máquina, foi, todavia, muito complicada e Pascal levou dois anos trabalhando com os artesãos. Essa fadiga comprometeu definitivamente sua saúde, que se tornou muito frágil daí por diante.

Aos 23 anos, tomou conhecimento da experiência de Torricelli (1608-1647) referente à pressão atmosférica e realizou outra, denominada "a experiência do vácuo", provando que os efeitos comumente atribuídos ao vácuo eram, na verdade, resultantes do peso do ar. Mais tarde ­ a partir de 1652 -, passou a se interessar pelos problemas matemáticos relacionados aos jogos de dados. As pesquisas que fez a esse respeito conduziram-no à formulação do cálculo das probabilidades. O chamado Triângulo de Pascal foi um dos resultados dessas pesquisas sobre jogos de azar: trata-se de uma tabela numérica que, entre outras propriedades, permite calcular as combinações possíveis de m objetos agrupados n a n.

Um dos últimos trabalhos científicos de Pascal nesse período é o Tratado Sobre as Potências Numéricas, em que aborda a questão dos "infinitamente pequenos". A essa questão voltará mais uma vez em 1658, num derradeiro estudo científico sobre a área de ciclóide, curva descrita por um ponto da circunferência que rola sem deslizar sobre uma reta. O método aplicado por Pascal para estabelecer essa área abriu caminho à descoberta, do cálculo integral, realizada por Leibniz (1646-1716) e Newton (1642-1727).

Em Ruão, para onde se havia mudado a família Pascal, Blaise conheceu Jacques Forton, senhor de Saint-Ange-Montcard, com quem teve as primeiras discussões a respeito da Bíblia, dos dogmas e da Igreja católica e da teologia em geral. Blaise e outros jovens, seus amigos, logo consideraram Saint-Ange-Montcard um herético pernicioso. Começa então a fase apologética da obra de Pascal, quando ele se une aos jansenistas do Port-Royal, sob a influência de sua irmã, Jacqueline Pascal, que havia entrado para o convento. Segundo o relato de Gilberte, Jacqueline conseguiu persuadir o irmão de que "a salvação devia ser preferível a todas as coisas e que era um erro atentar para um bem passageiro do corpo quando se tratava do bem eterno da alma". Pascal tinha então trinta anos, quando "resolveu desistir dos compromissos sociais. Começou mudando de bairro e, para melhor romper com seus hábitos, foi morar no campo, onde tanto fez para abandonar o mundo que o mundo afinal o abandonou".

Assim, depois do período em que procurou a verdade científica e a glória humana no domínio da natureza e da razão, Pascal dirigiu seu interesse para as questões da Igreja e da Revelação, acalentando o projeto de reunir a sociedade laica e a cristã e de combater a corrupção que teria sido causada pela evolução dos últimos séculos. Nesse período escreve o Memorial, obra mística, e os trabalhos de cunho apologético Colóquios com o Senhor de Saci Sobre Epicteto e Montaigne e as Províncias.
Na verdade, Pascal foi decisivamente marcado por um acontecimento, que determinou a mudança de sua trajetória espiritual: o "milagre do Santo Espinho". O fato é narrado pela irmã de Pascal, Gilberte Périer: "Foi por esse tempo que aprouve a Deus curar minha filha de uma fístula lacrimal que a afligia havia três anos e meio. Essa fístula era maligna e os maiores cirurgiões de Paris consideravam incurável; e enfim Deus permitiu que ela se curasse tocando o Santo Espinho que existe em Port-Royal, e esse milagre foi atestado por vários cirurgiões e médicos, e reconhecido pelo juízo solene da Igreja". A cura de sua sobrinha e afilhada repercuriu profundamente em Pascal: "... ele ficou emocionado com o milagre porque nele Deus era gloorificado e porque ocorria num tempo em que a fé da maioria era medíocre. A alegria que experimentou foi tão grande que se sentiu completamente penetrado por ela, e, como seu espírito ocupava-se de tudo com muita reflexão, esse milagre foi a ocasião para que nele se produzissem muitos pensamentos importantes sobre milagres em geral".

As análises sobre o milagre são fundamentais no pensamento de Pascal, pois determinam o centro de todas as suas reflexões religiosas e filosóficas: a figura de Cristo, mediador entre o finito (as criaturas) e o infinito (Deus criador). Em função de Cristo, Pascal estabelece a verdadeira relação entre os dois Testamentos: o Antigo revelaria a justiça de Deus, perante a qual todos os homens seriam culpados pela transmissão do pecado original; o Novo revelaria a misericórdia de Deus, que o leva a descer entre os homens por intermédio de seu Filho, cujo sacrifício infunde a graça santificante no coração dos homens e os redime. A idéia central de Pascal sobre o problema religioso é, portanto, a de que sem Cristo o homem está no vício e na miséria; com Cristo, está na felicidade, na virtude e na luz.

A figura de Cristo permite ainda a Pascal distinguir os pagãos, os judeus e os cristãos: os pagãos (isto é, os filósofos) seriam aqueles que acreditam num Deus que é si simplesmente o autor das verdade geométricas e da ordem dos elementos; os judeus seriam os que acreditam num Deus que exerce sua providência sobre a vida e os bens dos homens a fim de dar-lhes um sequencia de anos felizes; já os cristãos seriam os que creem num Deus de amor e de consolação, que faz com que eles sintam interiormente a miséria em que vivem e a infinita misericórdia de quem os criou. Somente aquele que chega ao fundo da miséria e da indignidade e que sabe do mediador (Cristo), chegando por intermédio dele conhecer o verdadeiro Deus, pois só o mediador poderia reparar a miséria do homem.

http://www.mundodosfilosofos.com.br/pascal.htm

sábado, 23 de fevereiro de 2013

MÁXIMAS DE BLAISE PASCAL


""O homem é feito visivelmente para pensar; é toda a sua dignidade e todo o seu mérito; e todo o seu dever é pensar bem." [ Blaise Pascal ]

"O eu é odioso." [ Blaise Pascal ]

"Eloquência positiva é aquela que persuade com doçura, não com violência, ou  seja, como um rei, não como um tirano." [ Blaise Pascal ]

"A maior fraqueza do homem é poder tão pouco por aqueles que ama." [ Blaise  Pascal ]

"Duas coisas instruem o homem, qualquer que seja a sua natureza: o instinto
e a experiência." [ Blaise Pascal ]

"O amor é cego, a amizade fecha os olhos." [ Blaise Pascal ]

"Quando a paixão nos domina esquecemos o dever." [ Blaise Pascal ]

"Quanto mais inteligente um homem é mais originalidade encontra nos outros.  Os medíocres acham toda a gente igual." [ Blaise Pascal ]

"É uma doença natural no homem acreditar que possui a verdade." [ BlaisePascal ]

"Corremos alegres para o precipício, quando pomos pela frente algo que nos impeça de o ver." 

[ laise Pascal ]

"A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta."[ Blaise  Pascal ]

"A opinião é a rainha do mundo." [ Blaise Pascal ]

"Pesemos o lucro e a perda tomando por coroa (no jogo de cara ou coroa) que  Deus existe. Avaliemos estes dois casos: se vencerdes, ganhais tudo; se perderdes, não perdeis nada. Apostai, portanto, que ele existe, sem hesitar." [ Blaise Pascal ]

"É o coração que sente Deus e não a razão." [ Blaise Pascal ]

"O homem nasceu para o prazer: ele sente-o e não precisa de mais provas. Ele  segue assim a razão, entregando-se ao prazer." [ Blaise Pascal ]

"O afeto ou o ódio mudam a face da justiça." [ Blaise Pascal ]

"Uma indiferença pacífica é a mais sábia das virtudes." [ Blaise Pascal ]

"A razão, por mais que grite, não pode negar que a imaginação estabeleceu no  homem uma segunda natureza." [ Blaise Pascal ]

"Quando considero a duração mínima da minha vida, absorvida pela eternidade  precedente e seguinte, o espaço diminuto que ocupo, e mesmo o que vejo,  abismado na infinita imensidade dos espaços que ignoro e me ignoram,  assusto-me e assombro-me de me ver aqui e não lá. Quem me pôs aqui? Por ordem de quem me foram destinados este lugar e este espaço?" [ Blaise  Pascal ]

"Nada há de bom nesta vida salvo a esperança de uma outra vida." [ BlaisePascal ]

"Apenas acredito nas histórias cujas testemunhas estivessem dispostas a deixar-se degolar." [ Blaise Pascal ]

"Deixemos um rei sozinho, sem nenhuma satisfação dos sentidos, sem nenhuma preocupação do espírito, sem companhia, a pensar apenas em si  mesmo; e ver-se-á que um rei sem divertimentos é um homem muito desgraçado." [ Blaise Pascal ]

"O silêncio é o maior dos martírios; nunca os santos se calaram." [ Blaise  Pascal ]

"A grandeza do homem está em ele se reconhecer como miserável. Uma árvore não se dá conta da sua miséria." [ Blaise Pascal ]

"O homem não é nem anjo nem animal, e a infelicidade exige que quem pretende se fazer de anjo se faça de besta." [ Blaise Pascal ]

"É falso que sejamos dignos de que os outros nos amem. E é injusto que o queiramos." [ Blaise Pascal ]

"Quando estamos de boa saúde, admiramo-nos de como seria possível estarmos doentes; quando isso acontece, medicamo-nos alegremente." [ Blaise Pascal ]

"Uma vez que não podemos ser universais e saber tudo quanto se pode saber acerca de tudo, é preciso saber-se um pouco de tudo, pois é muito melhor saber-se alguma coisa de tudo do que saber-se tudo apenas de uma coisa." [ Blaise Pascal ]

"Não há nada de justo ou de injusto que não mude de qualidade ao mudar de clima." [ Blaise Pascal ]

"Agrada-nos repousar em sociedade com os nossos semelhantes: miseráveis como nós, impotentes como nós, eles não nos ajudarão; morreremos sozinhos." [ Blaise Pascal ]

"A razão manda em nós muito mais imperiosamente do que um senhor; é que, desobedecendo a um, é-se infeliz, desobedecendo a outro, é-se tolo." [ Blaise Pascal ]

"Desejais que vos tenham em boa conta? Nada de o dizer!" [ Blaise Pascal ]

"É indispensável conhecermo-nos a nós próprios; mesmo se isso não bastasse  para encontrarmos a verdade, seria útil, ao menos para regularmos a vida, e  nada há de mais justo." [ Blaise Pascal ]

"Normalmente, convencem-nos com mais facilidade as razões que nós próprios encontramos do que as que vieram ao espírito dos outros." [ Blaise Pascal ]

"Esta covardia mole e tímida que não deixa nem ver, nem seguir a verdade." [ Blaise Pascal ]

"Aquele que sem autoridade mata um criminoso, torna-se tão criminoso como este." [Blaise Pascal


"A própria moda e os países determinam aquilo a que se chama beleza." [ Blaise Pascal ]

"O amor não tem idade; está sempre nascendo." [ Blaise Pascal ]

"Os olhos são os intérpretes do coração, mas só os interessados entendem essa linguagem." [ Blaise Pascal ]

"Poucas amizades subsistiriam se cada um soubesse aquilo que o amigo diz de  si nas suas costas." [ Blaise Pascal ]

"Quando descobrimos um estilo natural, ficamos espantados e satisfeitos, pois esperávamos um autor e encontramos um ser humano." [ Blaise Pascal ]

"Todos os homens, sem exceção, procuram ser felizes. Embora por meios diferentes, tendem todos para este fim." [ Blaise Pascal ]

"Somos tão presunçosos que desejaríamos ser conhecidos em todo o mundo... E tão vaidosos que a estima de cinco ou seis pessoas que nos rodeiam, nos  alegra e nos satisfaz." [ Blaise Pascal ]

"Há duas espécies de homens: os justos, que se julgam pecadores e os pecadores que se crêem justos." [ Blaise Pascal ]

"Tudo o que é incompreensível nem por isso deixa de existir." [ Blaise Pascal ]

" A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral." [ Blaise Pascal ]

"Se o nariz de Cleópatra tivesse sido menor, toda a face da Terra teria mudado." [ Blaise Pascal ]

"As alegrias passageiras encobrem os males eternos que elas próprias causam." [ Blaise Pascal ]

"Bom falador, mau caráter." [ Blaise Pascal ]

"Os incrédulos são os mais crédulos. Crêem nos milagres de Vespasiano para não crer nos de Moisés." [ Blaise Pascal ]

"A regra das nossas ações deve ser a probidade." [ Blaise Pascal ]

"A falsa humildade é puro orgulho." [ Blaise Pascal ]

"O homem é um ponto entre duas extremidades." [ Blaise Pascal ]

"Dois excessos: excluir a razão e admitir apenas a razão." [ Blaise Pascal ]

"O último passo da razão é reconhecer a existência de uma infinidade de coisas que a ultrapassam." [ Blaise Pascal ]

"O tempo amortece as aflições e desavenças, porque mudamos e quase nos tornamos outros homens." [ Blaise Pascal ]

"Apenas com a força de falar de amor, podemos chegar a nos apaixonar." [ Blaise Pascal ]

"Há três meios de crer: a razão, o hábito e a inspiração." [ Blaise Pascal ]

"Se a nossa condição fosse sermos felizes, não precisaríamos de lutar para sê-lo." [ Blaise Pascal ]

"Eis a condição do homem: inconstância, tédio e inquietação." [ Blaise Pascal]

"É justo que Deus, tão puro, se revele apenas aos que purificaram o seu coração." [ Blaise Pascal ]

"Nossa natureza está em movimento. O repouso absoluto é a morte." [ Blaise Pascal ]

"A consciência é o melhor livro moral que temos." [ Blaise Pascal ]

"Muito débil é a razão senão chega a compreender que há muitas coisas que a ultrapassam." [ Blaise Pascal ]

"A rainha do mundo é a força e não a opinião; mas é a opinião quem usa da
força." [ Blaise Pascal ]

"Descrição do homem: dependência, desejo de independência, necessidade." [ Blaise Pascal ]

"A eloquência é uma pintura do pensamento, e por isso os que depois de ter pintado adicionam algo mais, fazem um quadro em lugar de um retrato." [Blaise Pascal ]

"A justiça sobre a força é a impotência; a força sem justiça é tirania." [ BlaisePascal ]

"É mais fácil suportar a morte sem pensar nela, que suportar o pensamento da  morte." [ Blaise Pascal ]

"Nas religiões é preciso ser sinceros; verdadeiros pagões, verdadeiros judeus, verdadeiros cristãos." [ Blaise Pascal ]

"Os que possuem o espírito de discernimento sabem quanta diferença pode mediar entre duas palavras parecidas, segundo os lugares e as circunstâncias que as acompanhem." [ Blaise Pascal ]

"Os melhores livros são aqueles que quem os lêem crêem que também poderiam tê-los escrito." [ Blaise Pascal ]

"É miserável saber-se miserável, mas é ser grande reconhecer que se é miserável." [ Blaise Pascal ]

"A última coisa que alguém sabe é por onde começar." [ Blaise Pascal ]

"Dois excessos: excluir a razão, não admitir mais do que a razão." [ Blaise Pascal ]

"Pouca coisa nos consola porque pouca coisa nos aflige." [ Blaise Pascal ]

"Por mais riquezas que o homem possua e por melhores que sejam a saúde e as comodidades que desfrute, não se sente satisfeito se não conta com a estima dos demais." [ Blaise Pascal ]

"Vale mais saber alguma coisa de tudo, que saber tudo de uma só coisa." [Blaise Pascal ]

"A maioria dos males acontece aos homens por não ficarem em casa." [ Blaise  Pascal ]

"Fiz esta carta mais longa do que o usual porque não tenho tempo para fazer uma mais curta." [ Blaise Pascal ]

"O homem está disposto sempre a negar tudo aquilo que não compreende." [Blaise Pascal ]

"Pode ter algo mais ridículo do que a pretensão de que um homem tenha direito a matar-me porque habita o outro lado do rio e seu príncipe tem uma diferença com o meu ainda que eu não a tenha com ele?" [ Blaise Pascal ]

"Que é o homem dentro da natureza? Nada com respeito ao infinito. Tudo com  respeito ao nada. Um intermédio entra o nada e o tudo." [ Blaise Pascal

"Só há duas classes de pessoas coerentes: as que gozam de Deus porque acreditam N'ele e as que sofrem porque não O possuem." [ Blaise Pascal ]

"Quando não se ama demasiado não se ama o suficiente." [ Blaise Pascal ]

"A grandeza de um homem está em saber reconhecer sua própria limitação." [  Blaise Pascal ]

"A arte de persuadir consiste tanto no de agradar como no de convencer; já que os homens se governam mais pelo capricho que pela razão." [ Blaise  Pascal ]

"Se não atuas como pensas, vais terminar pensando como atuas." [ Blaise
Pascal ]

"Não vivemos nunca, apenas esperamos viver; e dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que não o sejamos nunca." [ Blaise Pascal ]

"Nossa imaginação nos engrandece tanto o tempo presente, que fazemos da eternidade um nada, e do nada uma eternidade." [ Blaise Pascal ]

"Uma das principais doenças do homem é sua inquieta curiosidade por conhecer o que não pode chegar a saber." [ Blaise Pascal ]

"De que serve ao homem ganhar o mundo se perde sua alma?" [ Blaise Pascal ]

"Só conheço dois tipos de pessoas razoáveis: as que amam a Deus de todo coração porque lhe conhecem, e as que lhe procuram de todo coração porque não lhe conhecem." [ Blaise Pascal ]

"O homem tem ilusões como o pássaro tem asas. Isso é o que o sustenta." [Blaise Pascal ]

"Nem a contradição é indício de falsidade, nem a falta de contradição é indício para acreditar." [ Blaise Pascal ]

"A razão faz com lentidão, e com tantas miras, sobre tantos princípios, que a cada momento se adormece ou extravia. A paixão faz num instante." [ BlaisePascal ]

"Estando sempre dispostos a ser felizes, é inevitável não o ser alguma vez." [Blaise Pascal ]

"A natureza tem perfeições para demonstrar que é a imagem de Deus e imperfeições para provar que só é uma imagem." [ Blaise Pascal ]

"A desgraça descobre à alma luzes que a prosperidade não chega a perceber." [ Blaise Pascal ]

"A felicidade é um artigo maravilhoso: quanto mais se dá, mais feliz se fica." [Blaise Pascal ]

"Aquele que dúvida e não pesquisa, torna-se não só infeliz, mas também injusto." [ Blaise Pascal ]

"O coração possui razões que a própria razão desconhece." [ Blaise Pascal ] 

http://www.rivalcir.com.br/frases/blaisepascal.html

LEGADO




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

PARADOXOS DA CONDIÇÃO HUMANA

Monografia apresentada em 2010 na "UNI-CV" Universidade Pública de Cabo Verde, para a obtenção do grau de Licenciado em Filosofia para a docência

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ANIQUILAMENTO


A ideia do nada.

A ideia do nada é um dos três termos de um esquema importante no pensamento de Blaise Pascal. Ele difere o nada pelas suas dimensões, sua irresistência e sua imobilidade o distinguem da matéria.

Segundo Pascal “a conversão verdadeira consiste em se aniquilar-se...”, ou seja, tornar-se um “nada”. O que é então, esse nada? A palavra “nada” tem muitos significados. É empregado para traduzir ex nihilo quando se fala da criação: “O homem foi criado do nada”. A palavra designa um termo da alternativa: ser ou não ser, existir ou não existir, o “nada” antes do nascimento, o “nada” que consiste na morte no pensamento dos ímpios: “só sei que ao sair deste mundo, caio para sempre no nada, ou nas mãos de um deus irritado”.

A ideia do “nada” também tem uma função de negação, “um nada de número”, “um nada de movimento”, “um nada de tempo”, “um nada de extensão”. O geômetra pensa o “nada” como uma espécie de passagem ao limite considerando os infinitamente pequenos, “... algum movimento, algum número, algum espaço, algum tempo que seja, disso há sempre um maior e um menor. Eles se sustêm entre o nada e o infinito, estando infinitamente distantes desses extremos.  

Em Do Espirito Geométrico, a ideia do nada pode ser representada pelo numero zero “... zero não é do mesmo gênero dos números, porque sendo multiplicado não pode ultrapassa-los...”; logo é um verdadeiro indivisível de número, como o indivisível é um verdadeiro zero de extensão. A palavra “nada” é convocada pelo problema da divisibilidade ao infinito e “o conhecimento do nada”, obtido pela passagem ao limite. “Por pequeno que seja o número... pode-se ainda conceber-lhe um menos, e sempre ao infinito, sem chegar ao zero”.

Em Física, a palavras “nada” foi ligada ao problema do vácuo. Pascal escreve que, não há nada tão contrário ao ser quanto o nada. É preciso chega ao conhecimento do nada, conhecer uma inteira privação de todos os tipos de qualidades e de efeitos.

Quando se trata da vida espiritual, a palavras “nada” em um contexto que significa valores que vão impor um dever de aniquilamento. Para saber o que as palavras “nada” e “aniquilamento” significam na linguagem da espiritualidade, o melhor é tomar como guia Bérulle, que explica que o homem é três vezes nada.

Primeiro, é nada como criatura tirada do nada e que lhe conserve a marca na dependência do Criador. O ser verdadeiro é aquele que existe por si, segundo, o ser é nada como pecador, o pecado que o separa do criador rejeitou-o ao nada; terceiro, o ser é nada como reparação, poie o que a graça dá se não o poder de aniquilar-se diante de deus, de tornar-se um nada nas mãos de Deus. Os dois primeiros casos designam condições: a de criatura e a de pecador. O terceiro faz intervir uma operação: há nada lá onde há aniquilamento, nesse caso, tudo está no verbo “aniquilar-se”.

Os dois primeiros nadas definidos por Bérulle, aparecem nos textos de Pascal. O primeiro nada é a finitude própria à natureza de ser criado. Ele sugere com o esquema entre-dois na sua versão antropológica no fim do opúsculo Do Espirito geométrico e desdobrado minunciosamente no fragmento sob o título “Desproporção do homem”. Para se conhecer, o homem deve começar por situar num mundo que é “uma esfera infinita cujo centro está em toda a parte, a circunferência em parte alguma”. Entre dois abismos do infinito e do nada estremecerá à vista dessas maravilhas...

Segundo a definição do homem entre-dois, Pascal define o homem como sendo: um nada em relação ao finito, e um tudo e relação ao nada, um meio entre o nada e o tudo... Nesse contexto a palavras “nada” tem dois sentidos. O sentido ex nihilo que afirma um “nada absoluto” e um “tudo em relação ao nada”, não havendo contradição nesse e noutro trecho quando Pascal afirma que “nós somos algo e não somos tudo”...

No vocabulário da espiritualidade, o homem é nada relativo,mas no interior de uma relação com o ser incriado. Se usássemos a definição de Descartes, diríamos: no primeiro caso, o homem é nada em relação ao universo indefinido e, no segundo, o é em relação a Deus infinito.

GOUHIER, Henri – Blaise Pascal – “Conversão e apologética”.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

PASCAL " O homem está dividido dentro de si mesmo"


Diz o Eclesiastes que "o coração dos homens está cheio de maldade e de loucura durante toda a vida" (Ec 9.3). Pascal sabia muito bem disso! Quem não se conhece cheio de soberba, de ambição, de concupiscência, de fraqueza e de injustiça é bastante cego. Precisamos baixar os olhos para a terra para nos vermos como míseros vermes, e olhar para as feras das quais somos companheiros.

Hoje o homem se tornou semelhante aos animais, num tal afastamento de Deus que apenas lhe resta uma luz confusa de seu Criador. A encarnação de Jesus mostra ao homem a grandeza de sua miséria pela grandeza do remédio que ele precisa.

Existe uma guerra interior no homem, entre a razão e as paixões. Sem a razão haveria só paixão. Mas existem uma e outra e elas não podem existir sem guerra. O homem está dividido dentro de si mesmo.

Os inimigos dos homens não são as drogas, o álcool, mas as suas paixões. Poucos falam humildemente sobre humildade. Somos mentirosos, temos duas caras e vivemos sob disfarces na tentativa de ocultar dos outros o que realmente somos.

Como o coração do homem é oco e cheio de baixeza! Se o homem se eleva, eu o rebaixo; se ele se abaixa, eu o levanto e o contradigo sempre até que ele se compenetre de que é um monstro incompreensível. Sem a graça de Deus o homem não é senão um sujeito cheio de erros inapagáveis.

Nós não somos senão mentiras, duplicidades, contrariedades. Nós nos escondemos e nos destruímos a nós mesmos. Somos tão presunçosos que gostaríamos de ser conhecidos em toda a Terra e também daqueles que virão quando não estivermos mais aqui. Somos tão vaidosos que a estima que nos rodeia nos ilude e nos deixa contentes.

Nascemos injustos e depravados. Estamos cheios de concupiscências; portanto, cheios de mal. Assim, deveríamos odiar a nós mesmos e a tudo o que nos excita a outro vínculo que não seja somente Deus.
Perdemo-nos nos vícios e não vemos mais a virtude.

http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/330/pascal-o-homem-esta-dividido-dentro-de-si-mesmo

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A IMPORTÂNCIA DO ACREDITAR




A perda da Fé é uma das coisas mais comum hoje em dia. E quando digo perda de Fé não falo apenas de deixar de acreditar em Deus, mas em deixar de acreditar, seja no que for. Desde acreditar que um amigo ou amiga vai cumprir o que promete, a acreditar que alguém vai conseguir sobreviver a uma doença.

A sociedade de hoje é cética em relação a tudo (hoje em dia também existe mais mentira). Vivemos no mundo da tecnologia e da ciência. "A razão explica tudo...", de maneira que ter Fé é lago que considerado pelas pessoas do nosso tempo é digno de um analfabeto.

Enquanto muitos abandonam o cristianismo, perdem a fé, o matemático, filosofo e teólogo Blaise Pascal, fez o caminho inverso e tornou-se um dos pensadores da modernidade mais apaixonados pelo cristianismo.

O cristianismo esteve muitas vezes na iminência de ser destruído. Em todas as vezes que corria esse perigo, Deus o levantava com o seu poder e com a ajuda e a militância dos que acreditam e buscam na fé um refúgio seguro, para todos os seus males e para todos os males da humanidade em crescente desmoronamento, pela perda de valores e da fé em Deus.

O cristianismo ordena ao homem que reconheça o quanto é vil e abominável e, ao mesmo tempo, gera nele o desejo de ser semelhante a Deus. Salvo o cristianismo, nenhuma religião ensina que o homem nasce em pecado. Nenhuma escola filosófica o afirma. Nenhuma, pois, diz a verdade.

O cristianismo consiste propriamente no mistério do Redentor, que reuniu em si as duas naturezas, a divina e a humana, e tirou os homens da corrupção dos pecados para reconciliá-los com Deus em sua pessoa divina.

Com a perda da Fé, ou melhor, do ato de não acreditar, vem a perda da esperança. E isto de perder a esperança não é algo que se deva encarar com animo leve, pois ela é o motor de muitas das nossas decisões.

A antiga expressão “a esperança é ultima a morrer." está a entrar em desuso. Num mundo em que cada vez existem mais cépticos tudo o que não tem provas deixa de ser plausível, dando origem à falta de valores.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DESCARTES E PASCAL

Dois racionalistas, duas vertentes diferentes.

Frans Hals - Portret van René Descartes.jpg
Descartes é um filósofo de grande importância na formação do pensamento Moderno e na formação da própria Ciência Moderna. Começa por duvidar de tudo, dos sentidos, que são enganadores, formulando o racionalismo. 
O método proposto, consistia da filtragem de todas as suas ideias, eliminando aquelas que não se afigurassem como verdadeiras e fossem dúbias, e apenas retendo as ideias que não suscitavam qualquer tipo de dúvida.

Segundo Descartes, devemos duvidar de tudo,  e por duvidar de tudo (Dúvida metódica), instrumento metodológico para chegar à verdades absolutas,  acaba por formular o princípio “Cogito, ergo sum” Porque duvidando de tudo acaba por não poder duvidar de que estava duvidando e estando duvidando ele sabia que estava pensando e assim formula o famoso “Penso, logo existo.” Para Descartes, essa seria uma verdade absolutamente firme, certa e segura, que, por isso mesmo, deveria ser adotada como princípio básico de toda sua filosofia. Era sua base, seu novo centro, seu ponto fixo.

Descartes, desenvolve todo um método dividido em quatro passos: intuição, análise, síntese e enumeração completa. Primeira regra é a evidência: “só aceitar aquilo que aparecer como evidente e tão somente aquilo que é evidente”. A segunda é a regra da análise: "dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis". Na prática da nossa vida esta regra pode ser também observada ao analisar os elementos de uma determinada situação a ser resolvida. A terceira é a regra da síntese: "concluir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer para, aos poucos, ascender, como que por meio de degraus, aos mais complexos". Sempre partindo do mais fácil para o mais difícil para poder numa ordem poder ir indo progressivamente em direção a uma realidade mais complexa. A última é a dos "desmembramentos tão complexos... a ponto de estar certo de nada ter omitido". Ou seja, revisar todos os elementos para não restar nenhuma dúvida.

Já Blaise Pascal é um filósofo da modernidade que procurou estabelecer uma defesa da existência de Deus argumentando na aposta. Não podemos provar se Deus existe, mas mesmo assim devemos apostar na sua existência.

Pascal diz que nada perderemos se apostar na existência de Deus, se Ele existir teremos ganhado tudo; caso não exista teremos vivido bem. Pascal também é o filósofo que afirma que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”, desse modo podemos afirmar a importância não apenas da racionalidade, mas também da dimensão da educação na dimensão afetiva.

Portanto, se para Descartes o pensamento surge como fundamento da própria existência humana em Pascal é feita uma crítica ao pensamento cartesiano tido como “geométrico”. Pascal propõe o espírito de finura, defendendo a dimensão afetiva do ser humano. Quando olhamos a atualidade e a prática da vida podemos nos perguntar se nas nossas decisões seguimos o coração ou a razão? Ou se dois são contraditórios, sendo contraditórios eles serão ou não complementares? O coração símbolo das nossas emoções deve ser tomado em consideração ou devemos ser frios nas nossas decisões?

Parece-nos oportuno integrar o coração e a razão a fim de estarmos realizando a nossa vida de maneira efetiva para nos realizarmos como pessoas humanas.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A MISÉRIA DO DIVERTIMENTO



Se o homem fosse feliz, sê-lo-ia tanto mais quanto menos divertido, como os Santos e Deus. - Sim; mas não sendo feliz pode animar-se pelo divertimento? - Não; porque vem doutro sítio e de fora; e assim é dependente e, portanto, sujeito a ser perturbado por mil acidentes que tornam as aflições inevitáveis. 
(...) A única coisa que nos consola das nossas misérias é o divertimento, e contudo é a maior das nossas misérias. Porque é isto que nos impede principalmente de pensar em nós, e que nos faz perder insensivelmente. Sem isso, estaríamos no tédio, e este tédio levava-nos a procurar um meio mais sólido de sair dele. Mas o divertimento distrai-nos e faz-nos chegar insensivelmente à morte. 
Blaise Pascal, in "Pensamentos"

terça-feira, 23 de outubro de 2012

PASCAL E KIERKEGAARD


Dois filósofos bastante curiosos são Pascal e Kierkegaard, o primeiro viveu no século XVII e o segundo viveu no século XIX. Ambos eram religiosos e mesclaram em suas obras razão e fé.

Embora tenham vivido em épocas diferentes há traços bem semelhantes entre os dois. Pascal, inicialmente como físico e matemático estava acostumado a olhar o mundo sob as lentes da razão, no entanto, em algum momento viu que a razão não dava conta da complexidade da vida e do mundo. Assim, a razão em Pascal perde seu posto de supremacia e este passa a estudar teologia, vendo na fé o elemento para o homem “sentir” o mundo e a vida. Nesse sentido, Pascal sacrifica a Matemática e a Física em nome de Deus.

Já Kierkegaard, considerado o “pai do Existencialismo”, admite a razão, no entanto, para o filósofo o mundo só é conhecido ao sujeito, isto é, o mundo é subjetivo – daí sua frase “Sinto, logo sou”, que carrega ainda uma certa ironia ao cartesianismo. Assim, dois sujeitos vêem a vida e o mundo de diferentes pontos de vista e nenhum dos dois têm “razão” para dizer que o mundo do outro é “errado”, pois este só se revela à subjetividade. Kierkegaard, assim como Pascal, também vê a razão como incapaz de dar conta de explicar o mundo e a vida, para ele o homem existente era um ser de angústia, e que esta era um “sinal” de que sua identidade só se completaria se obtivesse uma ligação com o transcendente: Deus.

Vale citar que tanto Pascal como Kierkegaard não negam a razão, reconhecem sua importância para o homem, no entanto , vão ao contra aquele sentido socrático – e depois ganha força com o Iluminismo – que a racionalidade  assume como elemento supremo e infalível para o homem desvendar o mundo e sua existência. Essa razão coloca os instintos e o “sentir” do homem como falhos e incapazes de revelar a “verdade”, de tal forma que o homem, assim mutilado, vive em função de sua própria criação – o mundo racional -, tornando-se prisioneiro de si mesmo.

Tanto Pascal como Kierkegaard reconheciam a existência de Deus e Jesus Cristo, no entanto, nenhum dos dois era adepto de uma religião sistematizada em uma instituição. Pelo contrário, ambos faziam fortes críticas à religião enquanto instituição, na medida em que o viam como sistemas onde a razão e a hipocrisia dominavam deturpando os verdadeiros valores de Cristo. Nesse sentido, para ambos, a religião era antes uma questão de relação de fé pessoal com Deus.