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sábado, 25 de fevereiro de 2012

REFLEXÕES PASCALINAS


Quanto mais inteligente um homem é mais originalidade encontra nos outros. Os medíocres acham toda a gente igual. (Blaise Pascal)

Duas coisas instruem o homem, qualquer que seja a sua natureza: o instinto e a experiência. (Blaise Pascal)

A maior fraqueza do homem é poder tão pouco por aqueles que ama. (Blaise Pascal)

A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta. (Blaise Pascal)

É o coração que sente Deus e não a razão. (Blaise Pascal)

Uma indiferença pacífica é a mais sábia das virtudes. (Blaise Pascal)


Leia mais: http://kifrases.blogspot.com/2010/08/frases-de-blaise-pascal.html#ixzz1nPJovJwb

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O TEMPO NA VIDA DO HOMEM



Que cada qual examine os seus pensamentos, e os achará sempre ocupados com o passado e com o futuro. Quase não pensamos no presente; e, quando pensamos é apenas para tomar-lhe a luz a fim de iluminar o futuro. O presente não é nunca o nosso fim; o passado e o presente são os nossos meios; só o futuro é o nosso fim. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver, e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.


Blaise Pascal

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O MONSTRO INCOMPREENSÍVEL

É perigoso mostrar ao homem até que ponto se assemelha aos animais sem lhe mostrar a sua grandeza. Também é perigoso mostrar-lhe muito a grandeza sem a baixeza. É ainda mais perigoso deixá-lo ignorar uma e outra. Mas é muito vantajoso representar-lhe as duas. O homem não é anjo nem besta, e por desgraça quem quer ser anjo acaba por ser besta. Se se exalta, humilho-o; se ele se humilha, exalto-o: e contradigo-o sempre, até que ele compreenda que é um monstro incompreensível. 

Condeno igualmente os que tomam o partido de louvar o homem, e os que tomam de condená-lo, e os que tomam o de se divertir; e não posso aprovar senão aqueles que buscam gemendo. 

Blaise Pascal, in "Pensamentos"

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O que é o homem na natureza?



Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo.

A primeira coisa que se oferece ao homem ao contemplar-se a si próprio, é seu corpo, isto é, certa parcela de matéria que lhe é peculiar. Mas, para compreender o que ela representa a fixá-la dentro de seus justos limites, precisa compará-la a tudo o que se encontra acima ou abaixo dela. Não se atenha, pois, a olhar para os objetos que o cercam, simplesmente, mas contemple a natureza inteira na sua alta e plena majestosidade.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

SUBMISSÃO E USO DA RAZÃO


1.   A última tentativa da razão é reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam. Revelar-se-á fraca se não chegar a conhecer isso. É preciso saber duvidar onde é preciso, afirmar onde é preciso, e submeter-se onde é preciso. Quem não faz assim não entende a força da razão. Há os que pecam contra esses três princípios, ou afirmando tudo como demonstrativo, não precisando ser conhecido por demonstrações; ou duvidando de tudo, não precisando saber onde é necessário, submeter-se; ou submetendo-se a tudo, não precisando saber onde é necessário julgar.

2.   Se se submete tudo à razão, a nossa religião nada terá de misterioso nem de sobrenatural. Se se contrariam os princípios da razão, a nossa religião será absurda e ridícula. A razão, diz Santo Agostinho, nunca se submeteria, se não julgasse que há ocasiões em que deve submeter-se. É, pois, justo que se submeta quando julga que deve submeter-se.

3.   A piedade é diferente da superstição. Sustentar a piedade até à superstição é destruí-la. Os hereges nos acusam dessa submissão supersticiosa. É fazer aquilo de que nos acusam (exigir essa submissão nas coisas que não são matéria de submissão).

4.   Não há nada tão conforme à razão como a retratação da razão (nas coisas que são de fé e nada tão contrário à razão como a retratação da razão nas coisas, que não são de fé). Dois excessos: excluir a razão, só admitir a razão.

5.   Diz bem a fé o que não dizem os sentidos, mas não o contrário do que vêem estes. Ela está acima e não em oposição.

6.   Se eu tivesse visto um milagre, dizem eles, converter-me-ia. Como afirmam que fariam o que ignoram? Supõem que essa conversão consista numa adoração que se faz de Deus como um comércio e uma conversão tal como a imaginam. A conversão verdadeira consiste em aniquilar-se diante desse Ser universal que tantas vezes tem sido irritado e que pode perder-vos legitimamente a todo momento; em reconhecer que não se pode nada sem ele, e que nada se mereceu dele senão a perda de sua graça. Consiste em conhecer que há uma oposição invencível entre Deus e nós, e que, sem um mediador, não pode haver comércio.
7.   Não vos admireis de ver pessoas simples crer sem raciocínio. Deus lhes dá o amor a ele e o ódio a si mesmo. Inclina-lhes o coração a crer.

8.   Nunca se crerá com uma crença útil e de fé se Deus não inclina a isso o coração; crer-se-á desde que ele o incline. É o que bem conhecia Davi quando dizia: inclina cor meum, Deus, in testimonia tua(9) (Salmo CXIX, 36).

9.   Os que crêem sem ter lido os Testamentos é porque têm uma disposição interior tão santa que o que ouvem dizer da nossa religião lhe é conforme. Sentem que um Deus os fez. Só querem amar a Deus, só querem odiar a si mesmos. Sentem que não têm por si mesmos a força para isso, que são incapazes de ir a Deus e que, se Deus não vem a eles, não podem ter nenhuma comunicação com ele. E ouvem dizer, em nossa religião, que é preciso amar somente a Deus e odiar somente a si mesmo; mas, sendo todos corrompidos e incapazes de Deus, Deus se fez homem para unir-se a nós. Não é preciso mais para persuadir homens que têm essa disposição no coração e que têm esse conhecimento do seu dever e de sua incapacidade.

10.       Os que vemos tornarem-se cristãos sem o conhecimento das profecias e das provas não deixam de julgá-las tão bem quanto os que têm esse conhecimento. Julgam-nas pelo coração, como os outros as julgam pelo espírito. É o próprio Deus que os inclina a crer, e assim estão eles muito eficazmente persuadidos.

11.       Confesso que um desses cristãos que crêem sem provas não terá, talvez, com que convencer um infiel que lhe alegar tal coisa. Mas, os que conhecem as provas da religião provarão sem dificuldade que esse fiel é verdadeiramente inspirado por Deus, embora não possa prová-lo ele próprio.
FONTE www.ebooksbrasil.com

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A EXISTÊNCIA HUMANA


A existência humana nesta terra, para Pascal, é paradoxal, uma vez que muda de condição e de qualidade se é colocada em dois extremos opostos. Existe um dualismo presente em todas as coisas. 
Nos pensamentos de Pascal a condição humana é colocada em relação: ele tanto pode ser como não ser. O tema de dois extremos opostos aparece em várias passagens dos Pensamentos. Analisando a desproporção do Homem Pascal diz:
" O homem é nada em relação ao infinito, tudo em relação ao nada."
Para Pascal, o Homem é um ponto intermediário entre o tudo e o nada -, ponto este não linear, mas pertencente à estrutura interna, psicológica do Homem. Para Pascal, é impossível ao Homem conhecer a verdade, pois esta exige o conhecimento dos dois extremos.
Para Pascal, somente em Deus os dois extremos se unem, convergem, como num círculo. Porém para conhecer Deus, o Homem deve primeiro saber-se nada. Sabendo-se nada, tornam-se tudo. È este o segredo que o fino moralismo de Pascal guarda, o de que, ao livrar-se da sua máscara que a arrogância, o amor e o ódio ao eu produzem, o Homem consegue achar a solução para a tensão entre os dois contrários. Mas Deus não é conhecido pela razão. O espírito geométrico não ocupa a totalidade do espírito, o sentimento, com efeito, é mais presente do que o raciocínio.
O coração, diz Pascal, tem razões que a própria razão desconhece, e é ele quem permite perceber a conciliação enter os dois infinitos.
Pascal aponta a debilidade da razão: mesmo na geometria, o axioma é uma verdade intuitiva e indemonstrável, ou seja, tão clara que é o coração que a conhece.
(Pascal, pensamento 383)


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

PIERRE BOUDIEU - MEDITAÇÕES PASCALINAS


“A obra analisada em sala foi Meditações Pascalianas na qual Bourdieu revisa a própria obra e critica o pensamento escolástico devido a sua construção dentro dos muros da universidade e propõe que os filósofos pensem o mundo dentro da ordem social, participativamente, e não como observadores onipotentes. Onde procurou mostrar que as relações de força entre os agentes sociais apresenta-se sempre na forma transfigurada de relações de sentido. A violência simbólica, outro tema central da sua obra, não era considerada por ele como um puro e simples instrumento ao serviço da classe dominante, mas como algo que se exerce também através do jogo entre os agentes sociais.
Um importante conceito apresentado Illusion, que é estar no jogo, estar envolvido no jogo, levar o jogo a sério; dar importância a um jogo social, perceber que o que se passa é importante para os envolvidos, para os que estão nele;
Um dos temas a Libido e Illusion, é de singular importância pois nele o autor se esforça em afirmar que são transações insensíveis, de compromisso semiconscientes e operações psicológicas (projeção, identificação, transferência e sublimação, que é a “dessexualização da pulsão instaurada em uma intersecção não-vazia entre o mundo privado e o público, este último continuamente invadindo e constituindo o primeiro” (Oliveira 2005).Diz, ainda, que nunca é possível determinar ,a rigor, quem faz a escolha se o agente ou a instituição; nunca se sabe quando o bom aluno escolhe a escola, ou se essa última o escolhe, pois tudo em sua conduta dócil evidencia o quanto ele a escolhe. E pede para que os intelectuais invistam no espaço doméstico: onde a Sociologia e a Psicologia devem se unir para analisar a gênese do investimento num campo de relações sociais. Tal ponto da apresentação foi recebido com ressalvas, uma vez que é difícil aceitar uma opinião tão radical.
A Coerção do Corpo é exercida na obscuridade das disposições dohabitus (sistema deposições duráveis, estruturas predispostas a funcionarem como estruturas estruturantes, são reguladas e regulares). Nesse ponto da apresentação houve um importante apontamento sobre a escolha da sexualidade, da imposição social de se ter filhos, e de qual carreira seguir. A Lei tenta dissimular a impossibilidade de facultar ao povo o acesso à verdade libertadora sobre a ordem social, na realidade não passa de uma forma legitimação. Os dominados contribuem aceitando tacitamente os limites impostos, tal reconhecimento assume a forma de emoção corporal, o constrangimento é demonstrado pela vergonha de não corresponder as expectativas sociais. Tratando inclusive da veneração às pessoas, às obras, às leis, aos grandes.
O autor fala em dois casos de forma muito direta: os esforços dos pais para preparar a criança negra para o destino do qual não podem protegê-la acabam por determiná-la secretamente para esperar seu castigo misterioso e inexorável; e a dominação masculina, que é espontânea e extorquida, desde que se leve em conta os efeitos duráveis exercido pela ordem social sobre as mulheres, fazendo com que a afirmação das mulheres se dê pela masculinização delas, pois ao invés das mulheres valorizarem aquilo que fazem, partem na empreitada de fazerem aquilo que é tipicamente masculino e, assim, conseguirem sua afirmação social.
Ao tratar de Poder Simbólico, Bourdieu afirma que a dominação possui sempre uma dimensão simbólica. E realmente é possível perceber isso, ao olharmos as bandeiras de alguns países que trazem armas, numa demonstração clara de que uma arma é imbuída de um valor simbólico muito maior do que os seus efeitos bélicos. E entre exemplos e debates em sala se estacaram o estereotipo de pessoas ditas bem sucedidas e seus bem, como forma de eternizar o poder.
Explicou que é natural que um atue sobre o outro e vice-versa, que a comunicação e compreensão mútuas possam se estabelecer entre eles através de signos e símbolos no âmbito de uma organização e de instituições que não são obras de nenhum dos dois. Que do ponto de vista dos que dominam o estado, e por meio dele, fazem de seu ponto de vista o ponto de vista universal, ao cabo de lutas contra visões concorrentes. O Estado orquestra os hábitos a torná-los senso comum: calendário social, feriados, férias escolares, divisão do mundo universitário em disciplinas - limitando e mutilando as práticas e representações;
Apesar da densidade do texto e da inexperiência do grupo, a participação do restante da turma rendeu boas discussões a respeito da apresentação, chegando a conclusão de que não adianta querer atacar a dominação através das armas ou de qualquer outra forma radical mas, sim, com a transformação de cada indivíduo da percepção que é feita do mundo. De tal sorte que a evolução dessa recriação de informações nos leve a um nível mais justo de hábitos.”
Autores: Alexandre Melo e Vagner Maciel
A maior baixeza é a busca da glória.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A CONCUPISCÊNCIA HUMANA

Depois da leitura de ambas as citações de Pascal, entre outras outras coisas que se poderá dizer sobre o homem, destaca-se a relação estreita entre a divisão das ordens e o temas das três concupiscências básicas.
A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o orgulho etc.
Há três ordens: carne, espirito e a vontade.
Os carnais são  ricos, os reis. Eles tem por objecto o corpo.
Os curiosos e eruditos, têm por objecto o espírito.
Os sábios têm por objecto a justiça.  
Deus deve reinar por toda a parte e tudo a ele se relacionar.
Nas coisas da cerne reina reina propriamente a concupiscência.
Nas espirituais, a curiosidade propriamente dita.
Na sabedoria, o orgulho propriamente.
A heterogeneidade entre elas é iluminada na ausência e relação de continuidade extremas entre as ordens(...)
Fonte.
O Homem Insuficiente, Luís filipe Pondé.

domingo, 11 de dezembro de 2011

QUEM É O HOMEM!?

O homem é um ser insatisfeito no que tange a posse do conhecimento. Desconhece que é parte, de um todo que não consegue conhecer. O que ele pode conhecer são as partes, as quais cabem dentro de suas proporções, tendo em conta que existe uma desproporção entre o homem e a natureza. Deseja conhecer a totalidade das coisas, com intuito de ser útil a si mesmo e aos outros, sente paixão, ama e deseja ser amado, mas tudo isso não passa de vaidade e amor próprio.
Usando a razão os homens acreditam que é possível conhecer a totalidade das, pois acreditam que ela é superior a todas as coisas, mas o mundo possui dimensões tao ínfimas, as coisas se dividem em partes que a vista, a razão do ser humano não consegue compreender e apreender, pois elas estão para além de onde se pensa ser o limite.
O homem é um problema para si mesmo, visto que não consegue conhecer a si mesmo, sua realidade e a totalidade das coisas. “incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas como o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é impossível ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve. O homem não poderá conhecer o início e nem o fim das coisas, visto que está instalado neste universo. Em relação ao nada é tudo, já em ralação ao tudo é um nada, ou seja, é uma espécie de meio termo entre o nada e o tudo. 
Nossa inteligência ocupa, entre as coisas inteligíveis, o mesmo lugar que nosso corpo na magnitude da natureza.  Sem a possibilidade de conhecer todas as coisas, o ser humano se depara com a sua própria miséria, seu limite e sua impotência. Mas ao reconhecer sua miséria, sua limitação e sua impossibilidade diante do universo do saber torna-se o ser mais grandioso, pois sua grandeza está, justamente, no reconhecimento de sua miséria, de sua limitação, de sua pequenez em relação ao universo. “O homem é grande porque se reconhece miserável”
Ele é comparado a não mais que um “caniço”, que é frágil, é agitado pelo vento, quebra-se com facilidade, mas que possui um pensamento, pensamento este que possibilita o reconhecimento de sua miséria. E ao reconhecer a sua miséria, limitações e impotências, torna-se relativamente superior a todas as outras criaturas, pois estas não podem reconhecer que são miseráveis, vista que não possuem o pensamento para tal reconhecimento. “O homem não é mais que um caniço, o mais débil da natureza; mas é um caniço que pensa”. A presente miséria produz nele um tormento de nostalgia pela sua passada grandeza, e este tormento o incita o instinto de uma verdade superior, a aspiração de um bem que somente pode satisfazê-lo.
Para que o tédio não se torne uma profunda solidão, é necessário que o homem procure algo para não se angustiar cada vez mais, e é aí que entra o divertimento para livrá-lo do tormento, levá-lo à felicidade, mas que acaba conduzindo-lhe a outro caminho. A única coisa que nos consola das nossas misérias é o divertimento e, no entanto, essa é a maior das nossas misérias. O divertimento afasta o homem de si mesmo, da morte e o impede de ver suas limitações e suas misérias.
Por outro lado, o divertimento livrar o ser humano de um tédio, de uma depressão, de uma angústia, de uma náusea, pois logo que começa a pensar na sua condição humana limitada e também miserável causa um profundo desgosto. Por isso, o ser humano está constantemente buscando o divertimento para fugir da sua miséria, pois deixa de pensar em suas questões latentes, tentando tornar-se demasiadamente feliz e buscar uma forma de esperar e suportar a morte.
O divertimento tem força suficiente de conduzir um homem de um estado de tristeza, abatimento e miséria a um estado de felicidade. Dentro da visão pascaliana, a condição humana está marcada por uma miséria ontológica. E essa é a verdadeira condição do ser humano; condição que lhe torna capaz de saber com certeza e o faz ignorar o absoluto. Embora este tenha perdido um ente querido e se encontre num estado deprimente, enquanto ele estiver no divertimento será feliz. Mas ele estará vivendo uma pseudo-felicidade e não uma felicidade plena, que não carece de nada mais, pois para Pascal a felicidade plena não se dá nesta vida, mas somente em Deus, só será plenamente feliz com a morte do corpo, onde se estará definitivamente com Deus.
Com base no que foi apresentado, surgem alguns questionamentos: o que é o homem na natureza? E Pascal responde que o ser humano é um “(…) nada com relação ao infinito e um tudo em relação ao nada (…)” . Se o homem não se deparasse primeiro com a vaidade, e sim com o divertimento, o que aconteceria? Ele não conheceria sua miséria, não se tornaria grandioso e não saberia onde encontrar felicidade absoluta. É possível ao homem conhecer? Sim, mas o que conhece não lhe é satisfatório, sempre falta algo amais.
Testifica-se, assim, que tanto a vaidade como o divertimento tem grande importância na vida do ser humano: a vaidade por envaidecer o seu coração com a possibilidade de conhecer e conduzi-lo à miséria, que consequentemente o reconduzirá à grandeza, que é o reconhecer a sua própria miséria; o divertimento resgata-o do tédio, da angústia, da tristeza, da depressão, do sofrimento, dos tormentos e o fortalece para suportar sua morte e esperar o seu encontro definitivo com Deus, quando então será feliz.
Referências ADORNO, Francesco Paolo. Pascal. 1ª Ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2008 (col. Figuras do Saber).
PASCAL, Bleise. Pensamentos. Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores).

domingo, 4 de dezembro de 2011

QUEM É O HOMEM!?

Desde os primórdios que o homem se tem procurado conhecer e explicar a totalidade das coisas reais. Através dessa busca incessante, surgiram ao longo dos tempos, questões tais como: o que é o homem diante da natureza?  Poderá o homem conhecer todas as coisas? Quais são os limites do conhecimento humano? Será o homem um ser egoísta, que se preocupa somente consigo mesmo? O que realmente faz do homem um ser feliz? O amor?  A vaidade? O divertimento? Em que consiste a grandeza e a miséria do homem?